A cidade de Penafiel foi palco, no passado fim-de-semana, Universidades JP, evento organizado pela Juventude Popular, evento organizado pela segunda vez pela Juventude Popular de Penafiel. Durante três dias, algumas das figuras mais reputadas do CDS/PP e não só passaram pelo Pavilhão de Feiras, local onde decorreu o evento, e discursaram sobre temas da vida interna do partido e de outros assuntos de interesse nacional. A abertura deste Universidades JP, um dos eventos mas importantes dentro do CDS/PP a seguir ao congresso, contou com as presenças de Álvaro Castelo Branco, líder da distrital do CDS/PP do Porto, Telmo Correia, deputado na Assembleia da Republica e ex-lider da bancada do CDS/PP no parlamento e Pires de Lima. Destaque ainda para a presença de Paulo Rangel, do grupo parlamentar do PSD e Adolfo Mesquita Nunes, presidente do Conselho Nacional da JP e Pedro Mesquita, líder da JP nacional. Mas a presença mais notada e talvez a mais esperada foi a de José Pacheco Pereira, conhecido militante do PSD, uma das vozes mais críticas dentro do PSD, conhecedor profundo da vida política nacional, conhecido pela sua irreverência e forma de pensar. Referindo-se ao papel das organizações juvenis dentro dos partidos no sistema democrático nacional, Pacheco Pereira começou por defender a dissolução das juventudes partidárias dentro do sistema político português. Sem recusar a existência de problemas que são típicos e específicos da juventude, para este professor de Filosofia, licenciado pela Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, não faz qualquer sentido constituir organizações juvenis apenas com base no factor idade. “O que falta aos partidos políticos é terem organizações que se voltem para os problemas concretos dos cidadãos”, adiantou. Para Pacheco Pereira dentro das juventudes partidárias existem vários tipos de organização: a Juventude Comunista e o Bloco de esquerda, colocadas à esquerda do espectro nacional, sem qualquer peso político e autonomia dentro dos seus partidos, e as que se encontram agregadas aos grandes partidos nacionais, como a JS e a JSD, a maior estrutura juvenil a nível nacional. De acordo com Pacheco Pereira os grandes partidos distinguem-se dos demais pela possibilidade que têm de oferecer milhares de empregos, de garantirem empregabilidade e de funcionarem como estruturas de “trade of” em que os seus militantes são premiados com base não no mérito pessoal mas numa lógica de obediência ao aparelho político do qual fazem parte e que tentam preservar a todo o custo. “Este é um problema dos partidos em geral. Não há liberdade de dizer não. As pessoas dedicam-se integralmente a conservar os seus lugares” acusou. O professor de filosofia criticou ainda a mistificação não raras vezes inocente entre democracia e demagogia com propósito de atingir determinados objectivos utilizada por figuras públicas recorrendo aos mais variados meios e as técnica e suportes diferenciados. Para o eurodeputado uma grande parte dos discursos é feita pelas agências de comunicação e especialistas do marketing, sendo estes em tudo diferentes da finalidade que os próprios partidos políticos procuram atingir: que é o bem público.
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