quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Colóquios, acções de rua e descerramento de uma obra plástica marcaram homenagem a Urbano Tavares Rodrigues

Penafiel foi palco, no último fim-de-semana da primeira edição do ESCRITARIA, iniciativa organizada pela Câmara de Penafiel, que este ano homenageou o escritor e artista plástico Urbano Tavares Rodrigues e que tem como objectivo homenagear um escritor português vivo e em plena actividade. Além de diversas acções de rua que tiveram lugar um pouco por toda a cidade, peças de teatro, improvisações, os penafidelenses puderam conhecer mais de perto a vida e obra do escritor quer através de excertos da sua obra quer através de frases emblemáticas que marcaram o seu pensamento literário. No Largo do Município, foram instalados vários painéis verticais sobre o passado do escritor. Numa das ruas da cidade foi estendida uma fita escrita que, à maneira de um corrimão, indicando os momentos chave da vida e obra do escritor. No Sameiro, em Penafiel, foram colocados pequenos tópicos e encimado por um conjunto de retratos (em grande formato) de Urbano Tavares Rodrigues criados pelo designer Rui Martins. Outras das iniciativas deste Escritaria passou por colocar vários “POST-IT’S” nas paredes da cidade com excertos da escrita de Urbano Tavares Rodrigues e uma nota convidando os munícipes a recolhê-los.
No domingo, dia 12, no Túnel do Museu Municipal de Penafiel, decorreu o descerramento da obra plástica de Armanda Passos, artista plástica, conhecida do autor, e que contou com a presença de vários escritores e do presidente da Câmara de Penafiel, Alberto Santos.


Colóquios
Esta homenagem ficou, ainda, marcada, pela realização de vários colóquios que contaram com a presença de vários escritores e especialistas conhecedores da obra do autor e da neta Inês Tavares Rodrigues. Entre os oradores destaque para as presenças de Cristina de Almeida Ribeiro (professora universitária), Domingos Lobo (escritor e programador cultural), Eugénia Leal (professora universitária), Fernando Pinto do Amaral (escritor e crítico literário), Inês Tavares Rodrigues (neta do escritor, escritora e jornalista), João Mário Mascarenhas (director do Museu República e Resistência), José Casanova (escritor e director do jornal Avante), José Manuel Mendes (presidente da Associação Portuguesa de Escritores, escritor e professor universitário), Kelly Basílio (professora universitária), Mário Cláudio (escritor), Mário de Carvalho (escritor), Nuno Júdice (escritor, crítico literário e professor universitário), Rui Herbon (escritor), Teolinda Gersão (escritora) e Vitorino (cantor), entre outras personalidades.
O presidente da Associação Portuguesa de Escritores, recordou que Urbano foi um autor que permaneceu sempre fiel aos seus paradigmas, um experimentalista, com um gosto indefectível pela liberdade e pelas novas ideias e um fervoroso apoiante dos jovens escritores ainda em inicio de carreira. Segundo José Manuel Mendes o escritor foi sempre um irredutível defensor da liberdade sendo dos autores mais lidos na Coimbra da década de 60/70. Cristina Almeida Ribeiro lembrou o impacto que Urbano teve nas sucessivas gerações de escritores que aprenderam a conhecê-lo, a respeitá-lo e a admirá-lo. Sobre a vida e obra do autor, recordou que este foi sempre uma pessoa atenta aos problemas do seu tempo, cuja escrita foi sofrendo mutações, antes de depois do 25 de Abril. Sobre a sua bibliografia, a professora Universitária recordou que o escritor teve sempre um percurso coerente do ponto de vista ideológico e estético, com uma abertura à novidade e ao experimentalismo.
Rui Herbon, uma das jovens promessas da literatura nacional, na sua intervenção recordou a importância e o papel que a obra do escritor teve no pensamento literário português, um dos nomes maiores da literatura nacional, a forma como privou e conheceu a obra de Urbano. Para Fernando Pinto do Amaral, que contactou pela primeira vez com a obra de Urbano e David Marão Ferreira, dois dos maiores vultos da literatura nacional, o escritor e artista plástico era uma pessoa para quem as suas palavras vogavam ao sabor da sua cultura, um apaixonado por nomes maiores da literatura internacional, como Marguerite Duras e da literatura nacional, Raul Brandão. Fernando Pinto do Amaral recordou, ainda, o papel central que as mulheres sempre desempenharam na sua obra. É através das mulheres que os homens ganham a consciência de determinadas coisas.

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